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<!DOCTYPE article PUBLIC "-//NLM//DTD JATS (Z39.96) Journal Publishing DTD v1.1 20151215//EN" "https://jats.nlm.nih.gov/publishing/1.1/JATS-journalpublishing1.dtd">
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	<front>
		<journal-meta>
			<journal-id journal-id-type="publisher-id">sobep</journal-id>
			<journal-title-group>
				<journal-title>Revista da Sociedade Brasileira de Enfermeiros Pediatras</journal-title>
				<abbrev-journal-title abbrev-type="publisher">Rev. Soc. Bras. Enferm. Ped</abbrev-journal-title>
			</journal-title-group>
			<issn pub-type="ppub">2238-202X</issn>
			<publisher>
				<publisher-name>Sociedade Brasileira de Enfermeiros Pediatras</publisher-name>
			</publisher>
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			<article-id pub-id-type="doi">10.31508/1676-3793202512</article-id>
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				<subj-group subj-group-type="heading">
					<subject>ARTIGO DE REVISÃO</subject>
				</subj-group>
			</article-categories>
			<title-group>
				<article-title>Experiência de uma enfermeira na mediação de grupo de cuidado para crianças que ouvem vozes</article-title>
				<trans-title-group xml:lang="es">
					<trans-title>Experiencia de una enfermera en la facilitación de un grupo de cuidado dirigido a niños que escuchan voces</trans-title>
				</trans-title-group>
			</title-group>
			<contrib-group>
				<contrib contrib-type="author">
					<contrib-id contrib-id-type="orcid">0000-0002-7109-2008</contrib-id>
					<name>
						<surname>Cardoso</surname>
						<given-names>Clarissa de Souza</given-names>
					</name>
					<xref ref-type="aff" rid="aff1"><sup>1</sup></xref>
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			</contrib-group>
			<aff id="aff1">
				<label>1</label>
				<institution content-type="orgdiv1">Faculdade de Enfermagem</institution>
				<institution content-type="orgname">Universidade Federal de Pelotas</institution>
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					<named-content content-type="city">Pelotas</named-content>
					<named-content content-type="state">RS</named-content>
				</addr-line>
				<country country="BR">Brasil</country>
				<institution content-type="original">Faculdade de Enfermagem, Universidade Federal de Pelotas, Pelotas, RS, Brasil.</institution>
			</aff>
			<author-notes>
				<corresp id="c01">
					<label>Autor correspondente:</label> Clarissa de Souza Cardoso | E-mail: <email>clarissadescardoso@gmail.com</email>
				</corresp>
				<fn fn-type="coi-statement">
					<label>Conflitos de interesse:</label>
					<p> nada a declarar.</p>
				</fn>
			</author-notes>
			<pub-date date-type="pub" publication-format="electronic">
				<day>23</day>
				<month>09</month>
				<year>2026</year>
			</pub-date>
			<pub-date date-type="collection" publication-format="electronic">
				<year>2026</year>
			</pub-date>
			<volume>25</volume>
			<elocation-id>eSOBEP202512</elocation-id>
			<history>
				<date date-type="received">
					<day>18</day>
					<month>06</month>
					<year>2025</year>
				</date>
				<date date-type="accepted">
					<day>20</day>
					<month>12</month>
					<year>2025</year>
				</date>
			</history>
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				<license license-type="open-access" xlink:href="https://creativecommons.org/licenses/by-nc/4.0/" xml:lang="en">
					<license-p> This is an Open Access article distributed under the terms of the Creative Commons Attribution Non-Commercial License, which permits unrestricted non-commercial use, distribution, and reproduction in any medium, provided the original work is properly cited. </license-p>
				</license>
			</permissions>
			<abstract>
				<title>Resumo</title>
				<sec>
					<title>Objetivo</title>
					<p> Este relato apresenta a mediação de uma enfermeira em grupo de cuidado para crianças de 9 a 12 anos que ouvem vozes.</p>
				</sec>
				<sec>
					<title>Métodos</title>
					<p> O grupo utilizou o formato virtual, para a realização das atividades lúdicas e dialógicas para promover escuta e acolhimento.</p>
				</sec>
				<sec>
					<title>Resultados</title>
					<p> Foram adotadas estratégias como validação das experiências auditivas, suporte emocional contínuo, educação familiar e estímulo ao protagonismo infantil, respeitando a singularidade das crianças. Embora a escuta de vozes na infância seja frequentemente associada a transtornos psicopatológicos, este trabalho reconhece sua dimensão subjetiva, enfatizando a importância de abordagens éticas e multidisciplinares. a redução do estigma, o fortalecimento da autoestima e a ampliação das redes de apoio, favorecendo a construção de ambientes seguros de expressão.</p>
				</sec>
				<sec>
					<title>Considerações finais</title>
					<p> A atuação do enfermeiro revela-se central, ao promover práticas dialógicas que reconhecem a criança como sujeito ativo do cuidado, fortalecendo vínculos de confiança e processos de empoderamento.</p>
				</sec>
			</abstract>
			<trans-abstract xml:lang="es">
				<title>Resumen</title>
				<sec>
					<title>Objetivo</title>
					<p> Este relato presenta la mediación de una enfermera en un grupo de cuidado para niñas y niños de 9 a 12 años que oyen voces.</p>
				</sec>
				<sec>
					<title>Métodos</title>
					<p> El grupo se desarrolló en formato virtual y utilizó actividades lúdicas y dialógicas para favorecer la escucha y el apoyo.</p>
				</sec>
				<sec>
					<title>Resultados</title>
					<p> Se adoptaron estrategias como la validación de las experiencias auditivas, el soporte emocional continuo, la educación familiar y el estímulo al protagonismo infantil, respetando la singularidad de cada participante. Aunque la escucha de voces en la infancia suele asociarse a trastornos psicopatológicos, este trabajo reconoce su dimensión subjetiva y destaca la necesidad de enfoques éticos y multidisciplinarios. Los hallazgos señalan reducción del estigma, fortalecimiento de la autoestima y ampliación de las redes de apoyo, contribuyendo a la creación de espacios seguros de expresión.</p>
				</sec>
				<sec>
					<title>Resultados</title>
					<p> El rol de la enfermera se mostró fundamental al promover prácticas dialógicas que reconocen a las niñas y los niños como sujetos activos del cuidado y fortalecen la confianza y el empoderamiento.</p>
				</sec>
			</trans-abstract>
			<kwd-group xml:lang="pt">
				<title>Descritores:</title>
				<kwd>Criança</kwd>
				<kwd>Enfermeiros</kwd>
				<kwd>Terapia de Grupo</kwd>
				<kwd>Saúde Mental</kwd>
			</kwd-group>
			<kwd-group xml:lang="es">
				<title>Descriptores:</title>
				<kwd>Niño</kwd>
				<kwd>Enfermeros</kwd>
				<kwd>Terapia de Grupo</kwd>
				<kwd>Salud Mental</kwd>
			</kwd-group>
			<counts>
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				<table-count count="2"/>
				<equation-count count="0"/>
				<ref-count count="19"/>
			</counts>
		</article-meta>
	</front>
	<body>
		<sec sec-type="intro">
			<title>Introdução</title>
			<p>A escuta de vozes na infância e na adolescência é uma experiência subjetiva que, embora frequentemente associada a transtornos psiquiátricos, pode também ser compreendida como parte da diversidade das vivências humanas. Estudos indicam<sup>(<xref ref-type="bibr" rid="B1">1</xref>-<xref ref-type="bibr" rid="B3">3</xref>)</sup> que a tendência predominante na literatura científica é relacionar essas experiências ao diagnóstico de esquizofrenia, com tratamentos centrados na prescrição de psicofármacos.</p>
			<p>No entanto, abordagens contemporâneas em saúde mental têm buscado ressignificar a escuta de vozes, reconhecendo-a como uma vivência que pode ser integrada à vida cotidiana das crianças e adolescentes. A compreensão dessa experiência está profundamente conectada ao contexto histórico, cultural e às histórias de vida das crianças e dos adolescentes.<sup>(<xref ref-type="bibr" rid="B2">2</xref>-<xref ref-type="bibr" rid="B4">4</xref>)</sup></p>
			<p>A escuta das experiências psíquicas de crianças e adolescentes deve ser compreendida a partir das relações de poder, das ameaças vividas e dos significados construídos em suas trajetórias individuais e coletivas.<sup>(<xref ref-type="bibr" rid="B2">2</xref>,<xref ref-type="bibr" rid="B3">3</xref>)</sup> Em vez de reduzir essas vivências a sintomas de transtornos mentais, é fundamental reconhecer a agência, a história de vida e o contexto sociocultural dos sujeitos, valorizando suas narrativas pessoais e promovendo a ressignificação das experiências.<sup>(<xref ref-type="bibr" rid="B5">5</xref>)</sup></p>
			<p>A atuação de profissionais de saúde, especialmente enfermeiros, é essencial na criação de espaços que favoreçam o acolhimento e a expressão das experiências subjetivas vividas por crianças.<sup>(<xref ref-type="bibr" rid="B4">4</xref>)</sup> Ao reconhecer que o sofrimento psíquico se relaciona com diferentes contextos ou mesmo situações que sentem ameaça, além dos significados atribuídos a essas experiências, a enfermagem assume papel central na promoção da saúde mental infantil em diferentes cenários<sup>(<xref ref-type="bibr" rid="B6">6</xref>)</sup> como escolas, famílias e comunidades. Suas intervenções têm se mostrado eficazes na identificação de problemas, na educação em saúde e no apoio às crianças e suas famílias, fortalecendo narrativas positivas, estratégias de enfrentamento e resiliência.</p>
			<p>No entanto, apesar dessas potencialidades, ainda há uma lacuna importante no conhecimento sobre como os enfermeiros podem atuar de forma sistematizada e sensível diante de experiências de ouvir vozes na infância, vivências que variam amplamente em conteúdo, intensidade e impacto emocional,<sup>(<xref ref-type="bibr" rid="B5">5</xref>)</sup> podendo representar tanto conforto quanto medo ou confusão. Embora a mediação de grupos com crianças que escutam vozes evidencie o papel do enfermeiro na construção de espaços seguros e acolhedores, ainda são escassas as investigações que orientem práticas consistentes, éticas e centradas na criança para lidar com essa forma de expressão subjetiva frequentemente associada, de maneira reducionista, a quadros psicopatológicos.<sup>(<xref ref-type="bibr" rid="B1">1</xref>-<xref ref-type="bibr" rid="B4">4</xref>)</sup></p>
		</sec>
		<sec>
			<title>Objetivo</title>
			<p>Relatar a potencialidade da experiência de uma enfermeira como mediadora de um grupo de cuidado a crianças que ouvem vozes.</p>
		</sec>
		<sec sec-type="methods">
			<title>Método</title>
			<p>Este relato de experiência descreve a atuação de uma enfermeira especialista em Novas Abordagens em Saúde Mental Infantojuvenil como mediadora em um grupo de cuidado para crianças que vivenciam a experiência de ouvir vozes. O grupo integrou o estudo <italic>“Com a palavra as crianças: narrativas sobre a escuta das vozes”</italic>, vinculado à pesquisa <italic>“Avaliação dos Centros de Atenção Psicossocial Infantojuvenil do Rio Grande do Sul (CAPSi-RS)”</italic>, financiada pelo CNPq e aprovada pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Faculdade de Enfermagem (Parecer nº 3.023.338).</p>
			<p>O relato de experiência é um gênero de produção científica que descreve, analisa e compartilha vivências práticas, pedagógicas ou profissionais, geralmente a partir da experiência direta de quem escreve, permitindo registrar aprendizados, desafios, estratégias e resultados de intervenções ou atividades realizadas.<sup>(<xref ref-type="bibr" rid="B7">7</xref>)</sup></p>
			<p>A constituição do grupo foi inspirada na metodologia dos Grupos de Auto Mútua Ajuda (AMA)<sup>(<xref ref-type="bibr" rid="B2">2</xref>,<xref ref-type="bibr" rid="B4">4</xref>)</sup> para ouvidores de vozes, adaptada para o formato virtual. Iniciado em julho de 2020, totalizando 100 encontros, utilizou-se o aplicativo <italic>Whatsapp</italic> para encontros síncronos e assíncronos, realizados duas vezes por semana, com duração média de 60 minutos, por meio de textos, áudios, vídeos e videochamadas.</p>
			<p>O convite para participação no grupo, voltado especificamente para crianças que vivenciam a experiência de ouvir vozes, foi inicialmente direcionado às famílias por meio de contato telefônico, no qual foram apresentados os objetivos das atividades, os princípios da participação, o caráter voluntário e as garantias de sigilo e confidencialidade. Por se tratar de um grupo destinado exclusivamente às crianças, a autorização formal dos responsáveis era imprescindível para assegurar a participação. Após o consentimento dos pais ou cuidadores, realizou-se um segundo contato diretamente com as crianças, com o intuito de explicar a proposta em linguagem acessível, verificar a compreensão, esclarecer dúvidas e confirmar seu interesse genuíno em integrar o grupo.</p>
			<p>O grupo foi composto exclusivamente por crianças de nove a 12 anos, todas com a experiência de ouvir vozes. A composição foi heterogênea, incluindo crianças vinculadas à saúde mental com diagnóstico e outras indicadas pela comunidade, sem diagnóstico formal. A divulgação também ocorreu via cartão-convite digital nas redes sociais da pesquisadora.</p>
			<p>A análise dos dados deste relato de experiência foi orientada pela Teoria da Argumentação, que compreende a produção de sentido como um processo construído a partir das justificativas, interpretações e modos de organizar a realidade apresentados pelos sujeitos.<sup>(<xref ref-type="bibr" rid="B8">8</xref>)</sup> Os registros do diário de campo, contendo falas, gestos, emoções percebidas e impressões da enfermeira mediadora, foram examinados de forma iterativa, buscando identificar os argumentos explícitos e implícitos que as crianças utilizavam para explicar, significar e negociar a experiência de ouvir vozes. Essa abordagem permitiu compreender não apenas o conteúdo das narrativas, mas a lógica interna que sustentava essas experiências, evidenciando como as crianças mobilizavam recursos simbólicos, afetivos e relacionais para dar sentido ao que viviam. A análise, portanto, valorizou a subjetividade infantil e o papel da enfermeira na construção de um espaço dialógico, no qual os argumentos das crianças puderam emergir, ser reconhecidos e reorganizados, contribuindo para reflexões sobre práticas de cuidado mais sensíveis e centradas na criança no campo da saúde mental.</p>
		</sec>
		<sec sec-type="results">
			<title>Resultados</title>
			<p>Operacionalizando as atividades conduzidas com abordagem lúdica e dialógica, visando construir um espaço de escuta, acolhimento e troca de saberes</p>
			<p>Durante o desenvolvimento do grupo, foram identificadas diferentes estratégias de cuidado que contribuíram significativamente para o acolhimento e fortalecimento das crianças e de seus familiares. As ações desenvolvidas e seus respectivos impactos estão sistematizados na <xref ref-type="table" rid="t1">Tabela 1</xref>.</p>
			<p>
				<table-wrap id="t1">
					<label>Tabela 1</label>
					<caption>
						<title>Estratégias de cuidado adotadas no grupo e seus efeitos no acolhimento de crianças que ouvem vozes e seus familiares</title>
					</caption>
					<table frame="hsides" rules="groups">
						<colgroup>
							<col/>
							<col/>
							<col/>
						</colgroup>
						<thead>
							<tr>
								<th align="left" style="font-weight:normal">Estratégia de cuidado</th>
								<th align="left" style="font-weight:normal">Descrição da ação desenvolvida</th>
								<th align="left" style="font-weight:normal">Potenciais efeitos observados</th>
							</tr>
						</thead>
						<tbody>
							<tr>
								<td>Validação das experiências</td>
								<td>Acolhimento das experiências auditivas, reconhecendo as vozes como parte da vivência subjetiva, sem julgamentos ou interpretações patologizantes.</td>
								<td>Redução do estigma, aumento da autoconfiança e segurança para compartilhar suas narrativas.</td>
							</tr>
							<tr>
								<td>Educação e sensibilização familiar</td>
								<td>Diálogo com responsáveis, compartilhando informações sobre as vozes e estratégias de enfrentamento, de modo acessível e empático.</td>
								<td>Redução da ansiedade familiar, fortalecimento do cuidado no domicílio e desconstrução de concepções estigmatizantes.</td>
							</tr>
							<tr>
								<td>Suporte emocional contínuo</td>
								<td>Espaço de escuta ativa e atividades lúdicas para crianças, acompanhamento das demandas emocionais ao longo do processo.</td>
								<td>Promoção de ambiente seguro e acolhedor, fortalecimento dos vínculos afetivos e ampliação da rede de apoio social e emocional.</td>
							</tr>
							<tr>
								<td>Enfoque no sujeito-criança</td>
								<td>Valorização da criança como sujeito de direitos e protagonista de sua narrativa, estimulando autonomia, criatividade e expressão de experiências singulares.</td>
								<td>Senso de pertencimento, empoderamento, fortalecimento da autoestima e ressignificação das experiências auditivas.</td>
							</tr>
						</tbody>
					</table>
					<table-wrap-foot>
						<attrib>Fonte: Elaborada pela autora (2025).</attrib>
					</table-wrap-foot>
				</table-wrap>
			</p>
			<p>As estratégias de cuidado adotadas no grupo foram fundamentadas na metodologia do <italic>Grupo de Auto Mútua Ajuda</italic>, que valoriza o compartilhamento de experiências entre sujeitos que vivenciam realidades semelhantes e reconhece o saber produzido nas interações como recurso terapêutico. Ao relacionar essa abordagem à Teoria da Argumentação, compreende-se que o processo de cuidado não se limita à troca de relatos, mas se articula pela construção e circulação de argumentos que as crianças e seus familiares elaboram para explicar, justificar e dar sentido à experiência de ouvir vozes.</p>
			<p>No grupo, práticas como a escuta ativa, a validação das narrativas, a construção conjunta de significados e o estímulo à expressão sem julgamento possibilitaram o surgimento desses argumentos, que foram reorganizados em um espaço dialógico e horizontal. Essa dinâmica favoreceu que as crianças identificassem lógicas próprias em suas vivências e reconhecessem que não estavam sozinhas, fortalecendo sentimentos de segurança e pertencimento. Assim, a integração entre <italic>Grupo de Auto Mútua Ajuda</italic> e a Teoria da Argumentação evidencia um cuidado centrado nas vozes e nos sentidos produzidos pelos próprios participantes, ampliando o potencial de acolhimento e protagonismo no processo de cuidado em saúde mental infantil.</p>
		</sec>
		<sec sec-type="discussion">
			<title>Discussão</title>
			<sec>
				<title>Tecendo espaços de escuta: caminhos para a construção de grupos com crianças que ouvem vozes</title>
				<p>A construção de Grupos de Auto Mútua Ajuda para crianças que experienciam vozes constitui prática inovadora e necessária na enfermagem em saúde mental, ao promover acolhimento, reduzir estigmas e fortalecer a autonomia infantil, reconhecendo a legitimidade de suas vivências. Para que essa experiência seja replicada por enfermeiros, é fundamental definir um percurso metodológico que contemple princípios éticos, objetivos claros e estratégias de facilitação adequadas às particularidades da infância, garantindo a efetividade do cuidado e a criação de ambientes terapêuticos sensíveis e inclusivos.</p>
				<p>Para a implementação do grupo adotou-se uma abordagem não patologizante, recurso essencial para o empoderamento e para a redução do sofrimento, ao mesmo tempo em que respeitou a singularidade das narrativas e promoveu um espaço de aceitação.<sup>(<xref ref-type="bibr" rid="B9">9</xref>)</sup> Para tanto, foram definidos os critérios de inclusão, termos de consentimento (para pais/responsáveis) e assentimento (crianças e adolescentes) acessíveis, bem como objetivos claros, para o fortalecimento da autonomia e o compartilhamento de estratégias de acolhimento. A logística do grupo <italic>online</italic> assegurou um ambiente seguro e acolhedor, com encontros regulares, de curta duração e número reduzido de participantes, favorecendo vínculos e interação. A escuta não patologizante das vozes constitui</p>
				<p>O suporte emocional contínuo, viabilizado pela mediação da enfermeira por meio de escuta ativa direcionada às crianças e seus familiares, constitui recurso essencial para o fortalecimento dos vínculos afetivos e para a ampliação da rede de apoio social. Essa prática demonstra que ambientes acolhedores e relações de apoio são determinantes para a promoção da resiliência em crianças que vivenciam experiências auditivas atípicas,<sup>(<xref ref-type="bibr" rid="B10">10</xref>-<xref ref-type="bibr" rid="B12">12</xref>)</sup> além de reduzir sentimentos de isolamento e favorecer a saúde emocional no desenvolvimento infantil.<sup>(<xref ref-type="bibr" rid="B13">13</xref>)</sup></p>
				<p>Nessa perspectiva de acompanhamento do grupo, o suporte emocional contínuo, configurou-se como elemento central para o bem-estar psíquico, reafirmando a relevância da enfermagem na construção de práticas de cuidado integradas e humanizadas. Durante os encontros, a enfermeira atuou como mediadora, incentivando a expressão sobre as vozes e a troca de experiências entre pares. Estratégias lúdicas, como desenhos, mapas das vozes e pinturas permitiram materializar a experiência e assim encontrar estratégias de acolhimento, contribuíram também para facilitar a comunicação e atribuir sentidos às vivências. Ademais, a co-construção das regras de convivência assegurou respeito, direito ao silêncio e valorização da diversidade, fortalecendo a mútua ajuda e o sentimento de pertencimento entre as crianças.</p>
				<p>O enfoque no sujeito-criança, que reconhece a criança como agente ativo e protagonista de sua própria narrativa, encontra respaldo na Convenção sobre os Direitos da Criança, a qual assegura sua autonomia e direito à expressão.<sup>(<xref ref-type="bibr" rid="B9">9</xref>)</sup> A promoção do protagonismo infantil no âmbito da saúde mental contribui para o fortalecimento da autoestima, do senso de pertencimento e para a ressignificação das experiências subjetivas.<sup>(<xref ref-type="bibr" rid="B14">14</xref>)</sup> Ademais, o reconhecimento das crianças como sujeitos de direitos favorece processos de empoderamento e de autorregulação emocional.<sup>(<xref ref-type="bibr" rid="B9">9</xref>,<xref ref-type="bibr" rid="B15">15</xref>)</sup> Essa perspectiva ética evidencia a importância da mediação profissional qualificada, orientada para um cuidado integral, que considere a singularidade, as potencialidades e as especificidades das crianças que ouvem vozes.</p>
				<p>As crianças constroem suas interpretações do mundo a partir do contexto social e histórico em que estão inseridas, desenvolvendo percepções singulares moldadas por suas experiências e formas de interação.<sup>(<xref ref-type="bibr" rid="B15">15</xref>)</sup> Essa diversidade de infâncias, marcada por capacidades criativas e perspectivas inovadoras, permite compreender a realidade de maneiras não convencionais, oferecendo subsídios para intervenções mais sensíveis e eficazes. A desconstrução de paradigmas que tratam a criança predominantemente como objeto, e não como sujeito, requer tempo e esforço em uma sociedade permeada por visões adultocêntricas.<sup>(<xref ref-type="bibr" rid="B11">11</xref>)</sup></p>
				<p>Nesse sentido, o reconhecimento da escuta das vozes como uma experiência passível de acolhimento favorece não apenas a validação da vivência infantil, mas também a ampliação da compreensão e da empatia por parte das famílias, promovendo um ambiente de cuidado mais humanizado, integrado e ético, em consonância com a perspectiva de protagonismo e direitos da criança discutida anteriormente.<sup>(<xref ref-type="bibr" rid="B16">16</xref>)</sup></p>
				<p>Ao longo do tempo, observou-se melhora significativa na capacidade das crianças de lidar com as experiências auditivas, tornando a expressão das vozes menos angustiante e promovendo o uso de estratégias aprendidas no grupo para enfrentar desafios emocionais. Além do suporte teórico, é fundamental uma escuta ética, sensível e acolhedora, que aceite as singularidades das crianças sem julgamentos ou foco exclusivo em diagnósticos psiquiátricos prévios. Isso possibilita compreender seus contextos, necessidades e sentimentos, ampliando o cuidado para além da patologia.<sup>(<xref ref-type="bibr" rid="B15">15</xref>)</sup></p>
				<p>A experiência no grupo de cuidado reforça que a escuta de vozes na infância e adolescência não deve ser vista apenas como sintoma patológico, mas como experiência humana complexa, com múltiplos significados conforme contextos sociais, culturais e subjetivos.<sup>(<xref ref-type="bibr" rid="B15">15</xref>,<xref ref-type="bibr" rid="B12">12</xref>)</sup> Embora associada a quadros psiquiátricos, pode ocorrer também em situações não clínicas, como estresse, luto e traumas. O modelo biomédico, hegemônico nos serviços de saúde mental, tende a patologizar essas experiências, desconsiderando narrativas e significados singulares.<sup>(<xref ref-type="bibr" rid="B13">13</xref>)</sup> Nesse sentido, o grupo mediado por enfermeiro, com abordagem psicossocial, mostrou-se eficaz para deslocar o olhar patologizante e favorecer sentidos compartilhados.</p>
				<p>A atuação do enfermeiro como mediador está alinhada às diretrizes da Política Nacional de Saúde Mental e da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS), que valorizam o cuidado em liberdade, o protagonismo e a construção de redes de apoio.<sup>(<xref ref-type="bibr" rid="B14">14</xref>-<xref ref-type="bibr" rid="B15">15</xref>)</sup> O enfermeiro assume papel estratégico, não só clínico, mas também como facilitador grupal, promotor de vínculos e articulador de redes de cuidado. O uso de práticas lúdicas no grupo mostrou-se fundamental para favorecer a expressão das crianças, sobretudo em experiências difíceis de verbalização em contextos formais. A ludicidade é mais que método: é dispositivo de cuidado que acolhe o sofrimento, ressignifica experiências e fortalece estratégias de enfrentamento.<sup>(<xref ref-type="bibr" rid="B17">17</xref>-<xref ref-type="bibr" rid="B18">18</xref>)</sup></p>
				<p>A experiência evidencia que, em espaços seguros e livres de julgamentos, onde as crianças podem expressar as vozes que escutam, reduz-se o isolamento e o estigma, favorecendo a compreensão e o manejo dessas vivências no cotidiano. Esse entendimento está alinhado ao movimento internacional Hearing Voices Networks, que defende a integração das vozes à vida por meio do suporte, acolhimento e construção de sentido.<sup>(<xref ref-type="bibr" rid="B19">19</xref>,<xref ref-type="bibr" rid="B5">5</xref>)</sup> A mediação do enfermeiro no grupo destaca a importância do cuidado compartilhado e da escuta qualificada na saúde mental infantojuvenil, exigindo do profissional competências que ultrapassam o técnico, incluindo sensibilidade, escuta ativa, manejo grupal e compreensão dos determinantes sociais da saúde que influenciam crianças e adolescentes.</p>
				<p>Por fim, a sustentação do grupo requer acompanhamento contínuo e avaliação sistemática. Os enfermeiros devem registrar os temas emergentes, revisar periodicamente a metodologia e manter diálogo com familiares e rede de apoio, sempre preservando a confidencialidade das crianças. Mais do que buscar a eliminação das vozes, o objetivo é ampliar repertórios de enfrentamento, reduzir estigmas e promover inclusão social. Assim, a replicação de Grupos de Auto Mútua Ajuda por enfermeiros configura-se como uma prática ética e transformadora, capaz de contribuir para o cuidado integral em saúde mental infantil.</p>
			</sec>
			<sec>
				<title>Implicações para prática e sugestões para estudos futuros</title>
				<p>Os achados deste relato evidenciam que a integração entre o <italic>Grupo de Auto Mútua Ajuda</italic> e a Teoria da Argumentação qualifica o cuidado de enfermagem às crianças que ouvem vozes, ao favorecer a expressão das narrativas infantis, a construção compartilhada de significados e a redução do estigma. Tais práticas reforçam a necessidade de enfermeiros desenvolverem competências comunicacionais e sensibilidade para acolher essas experiências de forma ética, integral e centrada na criança. Para estudos futuros, recomenda-se ampliar investigações sobre a utilização do <italic>peer support</italic> em grupos infantis e sobre os modos de argumentação mobilizados pelas crianças, contribuindo para o avanço de práticas inovadoras na enfermagem pediátrica e na atenção psicossocial.</p>
			</sec>
		</sec>
		<sec sec-type="conclusions">
			<title>Considerações finais</title>
			<p>Em síntese, as estratégias adotadas neste grupo de cuidado demonstram consonância com evidências atuais na saúde mental infantojuvenil, evidenciando o papel fundamental do enfermeiro como mediador na criação de espaços de acolhimento, escuta qualificada e valorização das experiências infantis, conforme os princípios da ética do cuidado.</p>
		</sec>
	</body>
	<back>
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			<title>Referências</title>
			<ref id="B1">
				<label>1</label>
				<mixed-citation>1. Cardoso CS, Pereira VR, Oliveira NA, Coimbra VCC. A escuta das vozes na infância: uma revisão integrativa. J Nurs Health. 2018;8(Suppl):e14043.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="journal">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>Cardoso</surname>
							<given-names>CS</given-names>
						</name>
						<name>
							<surname>Pereira</surname>
							<given-names>VR</given-names>
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							<surname>Oliveira</surname>
							<given-names>NA</given-names>
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							<surname>Coimbra</surname>
							<given-names>VCC</given-names>
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					<article-title>A escuta das vozes na infância: uma revisão integrativa</article-title>
					<source>J Nurs Health</source>
					<year>2018</year>
					<volume>8</volume>
					<supplement>Suppl</supplement>
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				<article-title>Experience of a nurse in facilitating a care group for children who hear voices</article-title>
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			<author-notes>
				<corresp id="c01001">
					<label>Corresponding author:</label> Clarissa de Souza Cardoso | E-mail: clarissadescardoso@gmail.com </corresp>
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					<label>Conflicts of interest:</label>
					<p> nothing to declare.</p>
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			<abstract>
				<title>Abstract</title>
				<sec>
					<title>Objective</title>
					<p> This report describes the mediation of a nurse in a care group for children aged 9 to 12 who hear voices.</p>
				</sec>
				<sec>
					<title>Methods</title>
					<p> The group operated in a virtual format and used playful and dialogical activities to promote listening and support.</p>
				</sec>
				<sec>
					<title>Results</title>
					<p> Strategies included validating auditory experiences, providing continuous emotional support, offering family education, and encouraging children’s protagonism while respecting their singularities. Although voice hearing in childhood is often associated with psychopathology, this work recognizes its subjective dimension and emphasizes the need for ethical and multidisciplinary approaches. The findings indicate reduced stigma, strengthened self-esteem, and expanded support networks, contributing to the creation of safe spaces for expression.</p>
				</sec>
				<sec>
					<title>Conclusion</title>
					<p> The nurse’s role proved central, promoting dialogical practices that acknowledge children as active subjects in their care and fostering trust and empowerment.</p>
				</sec>
			</abstract>
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				<title>Keywords:</title>
				<kwd>Child</kwd>
				<kwd>Nurses</kwd>
				<kwd>Group Therapy</kwd>
				<kwd>Mental Health</kwd>
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		<body>
			<sec sec-type="intro">
				<title>Introduction</title>
				<p>Hearing voices during childhood and adolescence is a subjective experience that, although frequently associated with psychiatric disorders, may also be understood as part of the diversity of human experiences. Studies indicate<sup>(<xref ref-type="bibr" rid="B1">1</xref>-<xref ref-type="bibr" rid="B3">3</xref>)</sup> that the predominant tendency in the scientific literature is to associate these experiences with a diagnosis of schizophrenia, with treatment approaches primarily centered on the prescription of psychotropic medications.</p>
				<p>However, contemporary approaches in mental health have sought to reframe the experience of hearing voices, recognizing it as an experience that can be integrated into the daily lives of children and adolescents. The understanding of this experience is deeply connected to the historical and cultural context, as well as to the life stories of children and adolescents.<sup><xref ref-type="bibr" rid="B2">2</xref></sup></p>
				<p>Listening to the psychological experiences of children and adolescents should be understood through the lens of power relations, lived threats, and the meanings constructed throughout their individual and collective trajectories<sup>(<xref ref-type="bibr" rid="B2">2</xref>,<xref ref-type="bibr" rid="B3">3</xref>)</sup>. Rather than reducing these experiences to symptoms of mental disorders, it is essential to recognize the agency, life history, and sociocultural context of individuals, valuing their personal narratives and promoting the re-signification of their experiences.<sup>(<xref ref-type="bibr" rid="B5">5</xref>)</sup></p>
				<p>The work of health professionals, particularly nurses, is essential in creating spaces that foster acceptance and the expression of subjective experiences among children.<sup>(<xref ref-type="bibr" rid="B4">4</xref>)</sup> By recognizing that psychological distress is related to different contexts or situations perceived as threatening, as well as to the meanings attributed to these experiences, nursing assumes a central role in promoting children’s mental health across different settings,<sup>(<xref ref-type="bibr" rid="B6">6</xref>)</sup> including schools, families, and communities. Nursing interventions have proven effective in identifying problems, providing health education, and supporting children and their families, while strengthening positive narratives, coping strategies, and resilience.</p>
				<p>Despite these possibilities, there remains an important gap in knowledge regarding how nurses can act in a systematic and sensitive manner when supporting children who hear voices, experiences that vary widely in content, intensity, and emotional impact,<sup>(<xref ref-type="bibr" rid="B5">5</xref>)</sup> and that may represent comfort as well as fear or confusion. Although the facilitation of groups for children who hear voices highlights the nurse’s role in creating safe and welcoming spaces, investigations that guide consistent, ethical, and child-centered practices for addressing this form of subjective expression remain scarce. Such experiences are still frequently and reductively associated with psychopathological conditions.<sup><xref ref-type="bibr" rid="B1">1</xref></sup></p>
			</sec>
			<sec>
				<title>Objective</title>
				<p>To report the potential contributions of a nurse’s experience as a facilitator of a care group for children who hear voices.</p>
			</sec>
			<sec sec-type="methods">
				<title>Methods</title>
				<p>This experience report describes the work of a nurse specialized in New Approaches to Child and Adolescent Mental Health as a facilitator of a care group for children who experience hearing voices. The group was part of the study “Children Have Their Say: Narratives on Hearing Voices,” linked to the research project “Evaluation of Child and Adolescent Psychosocial Care Centers in Rio Grande do Sul (CAPSi-RS),” funded by the Brazilian National Council for Scientific and Technological Development (CNPq) and approved by the Research Ethics Committee of the School of Nursing (Approval No. 3,023,338).</p>
				<p>An experience report is a scientific genre that describes, analyzes, and shares practical, educational, or professional experiences, usually based on the direct involvement of the author, allowing the documentation of lessons learned, challenges, strategies, and outcomes of interventions or activities performed.<sup>(<xref ref-type="bibr" rid="B7">7</xref>)</sup></p>
				<p>The group was inspired by the methodology of Mutual Aid Groups (MAGs) for voice-hearers,<sup>(<xref ref-type="bibr" rid="B2">2</xref>,<xref ref-type="bibr" rid="B4">4</xref>)</sup> adapted to a virtual format. Initiated in July 2020, the group comprised a total of 100 meetings. WhatsApp® was used for synchronous and asynchronous interactions held twice a week, with an average duration of 60 minutes, through text messages, audio recordings, videos, and video calls.</p>
				<p>The invitation to participate in the group, specifically designed for children who experienced hearing voices, was initially directed to families through telephone contact. During this process, the objectives of the activities, participation principles, voluntary nature of involvement, and guarantees of confidentiality and privacy were explained. As the group was intended exclusively for children, formal authorization from parents or legal guardians was required to ensure participation. Following parental consent, a second contact was established directly with the children to explain the proposal in age-appropriate language, assess their understanding, answer questions, and confirm their genuine interest in joining the group.</p>
				<p>The group consisted exclusively of children aged nine to twelve years who shared the experience of hearing voices. The composition was heterogeneous, including children receiving mental health care with established diagnoses as well as children referred by community members without a formal diagnosis. Recruitment was also conducted through a digital invitation card disseminated on the researcher’s social media platforms.</p>
				<p>Data analysis in this experience report was guided by Argumentation Theory, which understands meaning-making as a process constructed through the justifications, interpretations, and ways of organizing reality presented by individuals.<sup>(<xref ref-type="bibr" rid="B8">8</xref>)</sup> Field diary records containing statements, gestures, perceived emotions, and reflections from the nurse facilitator were examined iteratively to identify both explicit and implicit arguments used by the children to explain, interpret, and negotiate their experiences of hearing voices. This approach made it possible to understand not only the content of the narratives but also the internal logic underlying these experiences, highlighting how children mobilized symbolic, emotional, and relational resources to make sense of what they lived through. The analysis therefore valued children’s subjectivity and the nurse’s role in creating a dialogical space in which children’s arguments could emerge, be acknowledged, and be reorganized, contributing to reflections on more sensitive and child-centered care practices within the field of mental health.</p>
			</sec>
			<sec sec-type="results">
				<title>Results</title>
				<p>The activities were operationalized through a playful and dialogical approach aimed at creating a space for listening, acceptance, and the exchange of knowledge.</p>
				<p>Throughout the development of the group, different care strategies were identified that contributed significantly to supporting and strengthening both the children and their families. The actions implemented and their respective impacts are summarized in <xref ref-type="table" rid="t1001">Table 1</xref>.</p>
				<p>
					<table-wrap id="t1001">
						<label>Table 1</label>
						<caption>
							<title>Care strategies adopted in the group and their effects on supporting children who hear voices and their families</title>
						</caption>
						<table frame="hsides" rules="groups">
							<colgroup>
								<col/>
								<col/>
								<col/>
							</colgroup>
							<thead>
								<tr>
									<th align="left" style="font-weight:normal">Care strategy</th>
									<th align="left" style="font-weight:normal">Description of the action developed</th>
									<th align="left" style="font-weight:normal">Potential observed effects</th>
								</tr>
							</thead>
							<tbody>
								<tr>
									<td>Validation of experiences</td>
									<td>Acceptance of auditory experiences, recognizing voices as part of subjective experience without judgment or pathologizing interpretations.</td>
									<td>Reduction of stigma, increased self-confidence, and greater security in sharing personal narratives.</td>
								</tr>
								<tr>
									<td>Family education and awareness</td>
									<td>Dialogue with parents and caregivers, providing information about hearing voices and coping strategies in an accessible and empathetic manner.</td>
									<td>Reduced family anxiety, strengthened care within the home environment, and deconstruction of stigmatizing beliefs.</td>
								</tr>
								<tr>
									<td>Ongoing emotional support</td>
									<td>Provision of an active listening space and playful activities for children, alongside continuous monitoring of emotional needs throughout the process.</td>
									<td>Promotion of a safe and welcoming environment, strengthening of affective bonds, and expansion of social and emotional support networks.</td>
								</tr>
								<tr>
									<td>Child-centered approach</td>
									<td>Recognition of children as rights-bearing individuals and protagonists of their own narratives, encouraging autonomy, creativity, and the expression of unique experiences.</td>
									<td>Enhanced sense of belonging, empowerment, improved self-esteem, and re-signification of voice-hearing experiences.</td>
								</tr>
							</tbody>
						</table>
						<table-wrap-foot>
							<attrib>Source: Prepared by the author (2025).</attrib>
						</table-wrap-foot>
					</table-wrap>
				</p>
				<p>The care strategies adopted in the group were grounded in the Mutual Aid Group methodology, which values the sharing of experiences among individuals who face similar realities and recognizes the knowledge produced through interactions as a therapeutic resource. When linked to Argumentation Theory, this approach suggests that the care process extends beyond the exchange of personal accounts and is shaped by the construction and circulation of arguments that children and their family members develop to explain, justify, and make sense of the experience of hearing voices.</p>
				<p>Within the group, practices such as active listening, validation of narratives, collaborative meaning-making, and encouragement of non-judgmental expression enabled these arguments to emerge and be reorganized within a dialogical and horizontal environment. This dynamic allowed children to identify their own internal logic regarding their experiences and to recognize that they were not alone, thereby strengthening feelings of safety and belonging.</p>
				<p>From this perspective, the integration of the Mutual Aid Group methodology with Argumentation Theory highlights a form of care centered on voices and on the meanings produced by participants themselves, expanding the potential for acceptance, participation, and protagonism within the process of child mental health care.</p>
			</sec>
			<sec sec-type="discussion">
				<title>Discussion</title>
				<sec>
					<title>Weaving Spaces of Listening: Pathways for Building Groups for Children Who Hear Voices</title>
					<p>The development of Mutual Aid Groups for children who hear voices represents an innovative and necessary practice in mental health nursing, as it promotes acceptance, reduces stigma, and strengthens children’s autonomy while recognizing the legitimacy of their experiences. For this experience to be replicated by nurses, it is essential to establish a methodological framework that encompasses ethical principles, clear objectives, and facilitation strategies tailored to the specificities of childhood, ensuring effective care and the creation of sensitive and inclusive therapeutic environments.</p>
					<p>The implementation of the group was guided by a non-pathologizing approach, an essential resource for empowerment and the reduction of distress, while respecting the uniqueness of individual narratives and fostering a space of acceptance.<sup>(<xref ref-type="bibr" rid="B9">9</xref>)</sup>To achieve this, inclusion criteria were established, and accessible informed consent (for parents or guardians) and assent forms (for children and adolescents) were developed, together with clearly defined objectives aimed at strengthening autonomy and promoting the sharing of supportive coping strategies. The online group format ensured a safe and welcoming environment through regular meetings of short duration and a limited number of participants, facilitating interaction and the development of meaningful relationships. A non-pathologizing approach to hearing voices constituted a central principle throughout the care process.</p>
					<p>Sustained emotional support, provided through the nurse’s facilitation and active listening directed toward both children and their families, emerged as an essential resource for strengthening affective bonds and expanding social support networks. This practice demonstrates that welcoming environments and supportive relationships are key determinants in fostering resilience among children who experience atypical auditory phenomena,<sup><xref ref-type="bibr" rid="B10">10</xref></sup> while also reducing feelings of isolation and promoting emotional well-being during child development.<sup>(<xref ref-type="bibr" rid="B13">13</xref>)</sup></p>
					<p>Within this perspective, continuous emotional support became a central element in promoting psychological well-being, reaffirming the relevance of nursing in the development of integrated and humanized care practices. During the meetings, the nurse acted as a facilitator, encouraging discussion about voices and promoting the exchange of experiences among peers. Playful strategies such as drawings, voice maps, and painting activities enabled children to externalize their experiences and identify supportive coping strategies, while also facilitating communication and the attribution of meaning to their experiences. Furthermore, the collaborative construction of group rules ensured respect, the right to remain silent, and appreciation of diversity, thereby strengthening mutual support and children’s sense of belonging.</p>
					<p>The child-centered perspective, which recognizes children as active agents and protagonists of their own narratives, is supported by the Convention on the Rights of the Child, which safeguards their autonomy and right to expression.<sup>(<xref ref-type="bibr" rid="B9">9</xref>)</sup> Promoting children’s participation in mental health contexts contributes to strengthening self-esteem, fostering a sense of belonging, and facilitating the re-signification of subjective experiences.<sup>(<xref ref-type="bibr" rid="B14">14</xref>)</sup> Moreover, recognizing children as rights-bearing individuals supports processes of empowerment and emotional self-regulation.<sup>(<xref ref-type="bibr" rid="B9">9</xref>,<xref ref-type="bibr" rid="B15">15</xref>)</sup> This ethical perspective highlights the importance of qualified professional facilitation directed toward comprehensive care that considers the uniqueness, strengths, and specific needs of children who hear voices.</p>
					<p>Children construct their interpretations of the world through the social and historical contexts in which they live, developing unique perceptions shaped by their experiences and forms of interaction.<sup>(<xref ref-type="bibr" rid="B15">15</xref>)</sup> This diversity of childhood experiences, characterized by creativity and innovative perspectives, allows reality to be understood in non-conventional ways, providing valuable insights for more sensitive and effective interventions. Challenging paradigms that predominantly position children as objects rather than subjects requires time and sustained effort within societies permeated by adult-centered perspectives.<sup>(<xref ref-type="bibr" rid="B11">11</xref>)</sup></p>
					<p>In this context, recognizing hearing voices as an experience that can be accepted and understood not only validates children’s lived experiences but also broadens understanding and empathy among family members, promoting a more humanized, integrated, and ethical care environment consistent with the principles of children’s participation and rights discussed above.<sup>(<xref ref-type="bibr" rid="B16">16</xref>)</sup></p>
					<p>Over time, a significant improvement was observed in children’s ability to cope with auditory experiences. The expression of voices became less distressing, and children increasingly applied strategies learned within the group to address emotional challenges. Beyond theoretical support, an ethical, sensitive, and welcoming approach is essential, one that embraces children’s singularities without judgment or an exclusive focus on previous psychiatric diagnoses. Such an approach makes it possible to understand children’s contexts, needs, and emotions, expanding care beyond a pathology-centered perspective.<sup>(<xref ref-type="bibr" rid="B15">15</xref>)</sup></p>
					<p>The experience of the care group reinforces that hearing voices during childhood and adolescence should not be viewed solely as a pathological symptom but rather as a complex human experience with multiple meanings shaped by social, cultural, and subjective contexts.<sup>(<xref ref-type="bibr" rid="B12">12</xref>,<xref ref-type="bibr" rid="B15">15</xref>)</sup> Although it may be associated with psychiatric conditions, it can also occur in non-clinical situations such as stress, bereavement, and traumatic experiences. The biomedical model, which remains predominant in mental health services, often tends to pathologize these experiences, overlooking personal narratives and individual meanings.<sup>(<xref ref-type="bibr" rid="B13">13</xref>)</sup> In this regard, the nurse-facilitated group, grounded in a psychosocial approach, proved effective in shifting attention away from pathologizing interpretations and toward the construction of shared meanings.</p>
					<p>The nurse’s role as a facilitator is consistent with the principles of Brazil’s National Mental Health Policy and the Psychosocial Care Network (RAPS), which emphasize community-based care, participation, and the development of support networks.<sup>(<xref ref-type="bibr" rid="B14">14</xref>,<xref ref-type="bibr" rid="B15">15</xref>)</sup> Nurses assume a strategic role not only as clinicians but also as group facilitators, relationship builders, and coordinators of care networks. The use of playful practices within the group proved fundamental in promoting children’s expression, particularly regarding experiences that are difficult to verbalize in formal settings. Playfulness functions not merely as a method but as a care device that welcomes suffering, supports the re-signification of experiences, and strengthens coping strategies.<sup>(<xref ref-type="bibr" rid="B17">17</xref>,<xref ref-type="bibr" rid="B18">18</xref>)</sup></p>
					<p>This experience demonstrates that safe, non-judgmental environments in which children can openly express the voices they hear help reduce isolation and stigma while promoting understanding and management of these experiences in everyday life. This perspective is aligned with the international Hearing Voices Movement, which advocates integrating voices into daily life through support, acceptance, and meaning-making processes.<sup>(<xref ref-type="bibr" rid="B5">5</xref>,<xref ref-type="bibr" rid="B19">19</xref>)</sup> The nurse’s facilitation within the group highlights the importance of shared care and skilled listening in child and adolescent mental health, requiring competencies that extend beyond technical expertise to include sensitivity, active listening, group facilitation skills, and an understanding of the social determinants that influence children’s and adolescents’ health.</p>
					<p>Finally, sustaining such groups requires continuous follow-up and systematic evaluation. Nurses should document emerging themes, periodically review the methodology, and maintain dialogue with families and support networks while preserving children’s confidentiality. Rather than seeking the elimination of voices, the primary objective is to expand coping repertoires, reduce stigma, and promote social inclusion. Therefore, the replication of Mutual Aid Groups by nurses represents an ethical and transformative practice capable of contributing to comprehensive child mental health care.</p>
				</sec>
				<sec>
					<title>Implications for Practice and Recommendations for Future Research</title>
					<p>The findings of this experience report indicate that the integration of the Mutual Aid Group approach with Argumentation Theory enhances nursing care for children who hear voices by fostering the expression of children’s narratives, the shared construction of meanings, and the reduction of stigma. These practices reinforce the need for nurses to develop strong communication skills and sensitivity to welcome such experiences in an ethical, comprehensive, and child-centered manner.</p>
					<p>For future research, further investigations are recommended regarding the use of peer support within children’s groups and the forms of argumentation mobilized by children when making sense of their experiences. Such studies may contribute to the advancement of innovative practices in pediatric nursing and psychosocial care, while expanding knowledge about supportive and non-pathologizing approaches for children who hear voices.</p>
				</sec>
			</sec>
			<sec sec-type="conclusions">
				<title>Final Considerations</title>
				<p>In summary, the strategies adopted in this care group are consistent with current evidence in child and adolescent mental health, highlighting the fundamental role of nurses as facilitators in creating spaces for acceptance, skilled listening, and the recognition of children’s experiences, in accordance with the principles of the ethics of care.</p>
			</sec>
		</body>
		<back>
			<fn-group>
				<fn fn-type="data-availability" specific-use="data-in-article">
					<label>Data availability:</label>
					<p> The study data are available in this article.</p>
				</fn>
			</fn-group>
		</back>
	</sub-article>
</article>